sexta-feira, 15 de julho de 2011

Nuno Silva - SWING.PT

I-Tunes
Nuno Silva - clarinete

SWING.PT é um CD gravado pelo clarinetista português Nuno Silva acompanhado pela Banda Sinfónica do Exército e com direção musical do maestro americano Mitchell Fennell. A ideia deste projecto surgiu em 2004 quando Nuno Silva fez uma digressão pela costa oeste dos E.U.A. com o California State University Wind Ensemble, dirigido pelo maestro Mitchell Fennell interpretando Black Dog de Scott McAllister. O sucesso destes concertos em Los Angeles, San Francisco e Reno foi o gerador desta ideia que foi sendo amadurecida desde então, culminando na concretização deste trabalho. As obras apresentadas neste CD foram escolhidas com o intuito de poder demonstrar alguma da excelente música americana composta exclusivamente para instrumentos de sopro. A estreia nacional das obras aqui gravadas foi da responsabilidade de Nuno Silva.

Informação detalhada:

SWING.PT

Nuno Silva, clarinete
Mitchell Fennell, direção musical
Banda Sinfónica do Exército


1-Black Dog-------------------------------------------------- Scott McAllister

2-Derivations------------------------------------------------Morton Gould I- Warm-up II- Contrapuntal Blues
III- Rag
IV- Ride Out

3-Summertime----------------------------------------------George Gershwin

4-Prelude, Fugue and Riffs-------------------------------Leonard Bernstein

Gravado em Junho de 2010 no Quartel do Exército de Queluz (1,2 e 4), o 5 foi gravado no Salão Nobre do Conservatório Nacional em Dezembro de 2010
Captação e masterização: Alexandre Welfort Branco
Produção musical: Alexandre Welfort Branco e Nuno Silva
Black Dog - Scott McAllister
Black Dog é uma rapsódia para clarinete solo e orquestra de sopros. Esta obra é inspirada no hard rock clássico, particularmente a música em estílo rapsódico Black Dog criada pelo grupo Led Zeppelin. O clarinete solista assume o papel do cantor de uma banda de hard rock explorando os limites da voz e da emoção alternando este papel com solos pirotécnicos num verdadeiro estilo “Hendrix”. A rapsódia começa com uma longa cadência a solo onde é apresentado a maior parte do material temático da obra. A secção intermédia é um lento gesto ascendente “Stairway to Heaven”. A última secção de Black Dog encerra com um ostinato “head-banging” que conduz até à intensa cadência final.
Scott McAllister

Derivations - Morton Gould
Morton Gould compôs esta obra para clarinete e orquestra de sopros em Novembro de 1955 e foi dedicada a Benny Goodman. O compositor comenta da seguinte forma cada um dos andamentos: o primeiro andamento, “Warm-up”, é uma abertura onde os instrumentos aquecem os seus músculos; o segundo, “Contrapuntal Blues” é uma secção lenta e linear onde os vários instrumentos se cruzam em vários modos de Blues; o terceiro, “Rag”, representa uma estilização dos anos vinte com uma nostálgica e ritmicamente assimétrica do ragtime; o último andamento, “Ride-Out”, é um momento galvanizador que deve passar como um tiro, é um acumular de ostinatos e motivos musicais para dar a ideia de uma improvisação de jazz.
Nuno Silva

Summertime - George Gershwin
Da ópera “Porgy and Bess” estreada em 1935, esta famosa ária que se tornou imortal e que faz parte da memória musical de todos nós, reflete o carisma da música popular americana e a sua influência africana. Neste arranjo para clarinete e piano a influência do Jazz na música de Gershwin é posta em destaque. O clarinete ora imita a voz da cantora ora improvisa sobre o tema principal.
Nuno Silva
Prelude, Fugue and Riffs – Leonard Bernstein
Esta obra foi composta em 1949 para Woody Herman, famoso clarinetista da época, tendo sido, no entanto, estreada por Benny Goodman. Apesar de se basear na gramática do swing, as ideias improvisatórias estão organizadas numa estrutura bem delineada quase como uma forma clássica. O “Prelude” é marcado por ritmos deslocados alternados entre os metais e os saxofones. A “Fugue” detem a rigidez típica desta forma de composição denotando, contudo, uma certa espontaneidade de expressão. O “Riffs” pode ser considerado uma jam session escrita.
Nuno Silva

Nuno Silva-Biografia
Foi vencedor dos concursos nacionais de maior importância, incluindo o 1º Prémio de Clarinete e Música de Câmara da Juventude Musical Portuguesa 1988, 1º Prémio no Concurso Nacional de Clarinete de Setúbal 1989, 1º Prémio de Clarinete e Música de Câmara (nível superior) no Prémio Jovens Músicos 1991, 1º Prémio no Concurso Jovens Solistas 1992 e 1º Prémio no Concurso Cultura e Desenvolvimento 1996. Nuno Silva foi também distinguido em concursos internacionais: semi-finalista do “Concurso Internacional Valentino Bucchi em Roma”, 1992; laureado no “Concurso Internacional Aurelian Popa” na Roménia em 1993, semi-finalista no “Concurso Internacional de Cracóvia em 1994. Como vencedor do Prémio Jovens Músicos foi representante da RDP na fundação Hindemith na Suíça, onde estudou com Hans Deinzer e Ingo Goritzky. Em 2002 ficou apurado entre os três semifinalistas em clarinete do Concert Artists Guild em New York. Diplomado pelo Conservatório Nacional e pela Escola Superior de Música do Porto na classe do prof. António Saiote, estudou também em Paris com o prof. Pascal Moragués. Em 2001 licenciou-se em Ciências Musicais na Universidade Nova de Lisboa e em 2003 concluiu com classificação máxima a todas as disciplinas o grau de mestrado na Califórnia State University, na classe do prof. Hakan Rosengren, sendo o primeiro mestre em clarinete a nível nacional. Estes resultados académicos valeram-lhe o convite para membro da prestigiosa organização americana Phi Kappa Phi Honors Society. Em 1997 desempenhou o lugar de 1º clarinete solista na EuroAsian Philarmonic Orchestra, em Seoul, na Coreia. Tem actuado e dado masterclasses um pouco por todo o mundo: Pequim, Xangai, Adelaide (por duas vezes), Recife, Coruña, Madrid, Constancia, Gent, Los Angeles, Metz, Roterdão, San Francisco, Atlanta, Vancouver, etc. Em 2003 foi convidado especial da 2ª semana do clarinete do Funchal, onde deu uma masterclass e actuou com a Orquestra Clássica da Madeira, interpretando em estreia nacional obras de M. Gould e L. Bernstein. Em 2004 realizou uma tournée de concertos a solo com o CSUF Ensemble em Los Angeles, San Francisco e Reno, interpretando Black Dog-Rahpsody for Clarinet de Scott Mcallister. Nuno Silva é regularmente convidado para membro de júris de concursos nacionais e internacionais. Como solista actuou com a Orquestra do Porto, Nova Filarmonia Portuguesa, Orquestra da Escola Profissional de Espinho, Orquestra de Sopros do Conservatório Nacional, California State University Ensemble, Orquestra Sinfónica de Constanza, Orquestra Clássica da Madeira, Big Band do Hot Club de Portugal e várias actuações com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Estas apresentações como solista foram acompanhadas por maestros tais como: Álvaro Cassuto, Mitchel Fennel, Paul Meyer, Uros Laiovic, Jin Wang, Aurelian Popa, Goleminov, Pedro Moreira, Jean-Sebastien Béreau e Silva Pereira. A sua discografia inclui o 2º Concerto de Weber com a Nova Filarmonia Portuguesa, obras de Mathias Dorsam com o quinteto Mistral e o CD “Percursos” com o Quarteto de Clarinetes de Lisboa. Nuno Silva é artista da marca de instrumentos Buffet Crampon e da marca de palhetas RICO. Em 2008, deu uma masterclass e um recital na Universidade de Adelaide, na Austrália. É regularmente convidado a actuar no Congresso Mundial do Clarinete, tendo actuado neste evento em Atlanta 2006, Vancouver 2007 e Porto 2009. Em Outubro de 2009 apresentou-se no Encontro Nacional de Clarinetistas Brasileiros no Recife-Brasil onde também leccionou uma masterclass. Actualmente é professor na Escola de Música do Conservatório Nacional e na Academia Nacional Superior de Orquestra assim como 1º Clarinete Solista da Orquestra Metropolitana de Lisboa. Em 2003, a Câmara Municipal do Seixal atribuiu-lhe a medalha de mérito cultural e a sua biografia foi citada na revista VISÃO como “um percurso digno de orgulho nacional”.



Mitchell J. Fennell-Biografia
Mitchell Fennell is The Coordinator of Wind Studies and Director of Bands at Cal State Fullerton. He conducts the University Wind Symphony, the University Band, and teaches undergraduate and graduate instrumental conducting, courses in wind literature and courses in music education. He is also the producer of the Bravo Bands concert series which is one of the few professional concert series in America dedicated to wind music performance. The University Wind Symphony, under the direction of Dr. Fennell, has produced five compact disc recordings featuring the music of Warren Benson, Alfred Reed, Richard Wagner, Paul Hindemith, Karel Husa, Leslie Bassett, Zdenek Lukas, and Vincent Persichetti. They recently presented the world premier of William Kraft’s Vintage Renaissance and Beyond for the opening of Meng Concert Hall. The Wind Symphony has also performed at music conventions and festivals in South Korea, Japan, Germany, Austria and Denmark as well as for California Music Educators conferences and at College Band Directors National Association Western Regional conventions. In addition to his duties at Cal State Fullerton, Associate Professor Fennell has conducted a live Public Radio broadcast of Myer Kupferman’s Images of Chagall and Stravinsky’s L’Histoire du Soldat. He has also published a teaching guide to “Winds of Nagual” by Michael Colgrass, which appears in the second volume of Teaching Music Through Performance in Band by Richard Miles. He appeared as a guest conductor with the Army Band and National Guard Band of Portugal and Escola de Musica do Conservatorio Nacional in Lisbon. Dr Fennell has frequently appeared as a guest conductor, adjudicator and clinician in South Korea as well. Dr. Fennell received his Bachelor of Music degree from Long Beach State University and the Master of Music and Doctorate of Arts degree from the University of Northern Colorado. He holds an Honorary Life Membership in the Southern California Band and Orchestra Association and is a recipient of the Orpheus Award from Phi Mu Alpha Sinfonia. He is a member of Pi Kappa Lambda, Phi Mu Alpha, Music Educators National Conference, and the College Band Directors National Association.

Ref.: NUM 1220


Coro de Câmara de Lisboa - CANÇÕES DA ÁSIA

I-Tunes

CANÇÕES DA ÁSIA

Coro de Câmara de Lisboa
Teresita Gutierrez Marques - direcção

No contexto das relações Portugal-Oriente, o ano de 2011 é inusitadamente rico em efemérides: para além do “V Centenário da Chegada dos Portugueses ao Oriente” (incluindo a Malásia, Indonésia e Singapura), celebrar-se-ão também o “Ano de Portugal na China”, o “V Centenário das Relações Diplomáticas entre Portugal e a Tailândia”, e o “50.º Aniversário do Estabelecimento de Relações Diplomáticas entre Portugal e a República da Coreia”.
O extenso e rico património material e imaterial português que ainda perdura naquelas paragens, fruto de intensas e – em muitos casos – longas relações culturais, comerciais e diplomáticas, oferece uma oportunidade única para o aprofundamento das relações entre Portugal e os países mencionados (a que se acrescentam Timor-Leste, Filipinas [onde, durante a sua viagem de circum-navegação, aportou e morreu Fernão de Magalhães em 1521], e o Japão [país que, em 1543, conheceu pela primeira vez o mundo ocidental através de contactos com portugueses]). É justamente esse o objectivo do Coro de Câmara de Lisboa (CCL): estreitar laços e estabelecer pontes, abraçando a cultura musical oriental e, significativamente, integrando-a no repertório do grupo. O presente CD simbolicamente representa um gesto de amizade de vertentes múltiplas: nele se cantam na língua original canções populares orientais (com harmonizações de compositores locais e portugueses), canções populares em crioulo de influência portuguesa (com harmonizações de compositores locais e portugueses), e duas canções populares em harmonizações dedicadas ao CCL (da autoria de um compositor malaio, Yeo Chow Shern, e do Maestro Simão Barreto). Esse gesto estende-se naturalmente ao público português visto que permitirá dar a conhecer música de culturas que povoam o seu imaginário, imbuído das variadas influências que o nosso historial epopeico naturalmente foi assimilando ao longo de séculos.
Na última digressão do CCL ao Oriente (Malásia e Singapura, 2009) foi possível constatar, por parte dos agentes culturais locais e da população em geral, a grande apetência (poder-se-ia mesmo utilizar a palavra avidez) e interesse por todos os artigos portugueses de carácter cultural. De facto, a ideia seminal deste projecto nasce precisamente de solicitações por parte desses agentes culturais, e da constatação da inexistência de
gravações da maior parte deste repertório.
As canções populares têm uma importância enorme junto das populações, afirmando e fortalecendo a sua identidade cultural. Assim, a escolha do repertório aqui incluído foi feita criteriosamente, tomando em consideração a qualidade musical das harmonizações, mas também a popularidade, o significado, e a carga simbólica das canções em si. Tal como a canção popular é a manifestação da identidade cultural, ela também reflecte os intercâmbios culturais que se realizaram ao longo de séculos. Neste contexto a passagem dos portugueses por estes países deixou marcas indeléveis, visto que ainda hoje a língua portuguesa continua presente em muitas canções e nas próprias línguas locais, quando não dando origem a línguas que, etimologicamente, se baseiam no idioma português. É o caso do papiá kristang, um crioulo de influência portuguesa que ainda é falado por pessoas de ascendência portuguesa no bairro português em Malaca, hoje em dia conhecido como Kampung Portuguis. Além disso, a presença de palavras de origem portuguesa no malaio é enorme, subsistindo cerca de quatrocentas palavras de uso corrente. Em vista destes factos, a inclusão de peças cantadas em papiá kristang e outras línguas crioulas de origem portuguesa foi uma escolha óbvia e obrigatória: 1) The Sound of Portuguese Malacca, foi dedicada ao CCL pelo jovem compositor malaio, Yeo Chow Shern, e inclui a harmonização de canções em papiá kristang; 2) Jinklie Nona, aqui harmonizada por Simão Barreto, é uma espécie de hino oficioso da Malásia: toda a população a conhece e a canta (mesmo não falando papiá kristang), tendo inclusivamente sido criadas danças nela inspiradas; 3) Bastiana, também harmonizada por Simão Barreto, tem texto em patuá macaense (também chamado crioulu macaense, patuá di Macau, papiá cristam di Macau, ou doci papiaçam di Macau), outra língua crioula com base no português, neste caso com origem em Macau a partir do século XVI, com influências de chinês, malaio e cantonês. Tal como o papiá kristang, continua a ser falado por um pequeno número de macaenses que vive em Macau ou no estrangeiro, na sua maioria já com idade avançada.
É a convicção e o desejo do CCL que o CD “Canções da Ásia”, editado em português e inglês, fortalecerá os laços de amizade e as relações culturais que existem há séculos entre Portugal e os países com canções nele incluídas. A digressão a realizar proximamente (Julho e Agosto de 2011) na Malásia, Singapura e Indonésia, irá certamente potenciar o objectivo do trabalho ora apresentado.

Informação detalhada:

1. Jinklie Nona 02’48’’
(Malacca / Malaca)

2. Soleram 03’19’’
(Indonesia / Indonésia)

3. Lenggang Kangkong 01’14’’
(Malaysia / Malásia)

4. Ni wa wa 05’10’’
(China – Singapore / China – Singapura)

5. Burung Kakak Tua 03’09’’
(Indonesia / Indonésia)

6. Menceceh Bujang Lapuk 02’29’’
(Malaysia / Malásia)

7. Arirang 02’52’’
(Republic of Korea / República da Coreia)

8. Diu Diu Deng 01’33’’
(Taiwan)

9. Bastiana 01’56’’
(Macao / Macau)

10. Garasu no chohchoh 02’24’’
(Japan / Japão)

11. Sohran bushi 03’43’’
(Japan / Japão)

12. Phra Met Ta 04’01’’
(Thailand / Tailândia)

13. The Sound of Portuguese Malacca * 05’25’’
(Malacca / Malaca)

14. Katakataka 02’21’’
(Philippines / Filipinas)

15. Jambatan / Geylang * 05’24’’
(Malaysia / Malásia)

16. Lilo eh! (in Timor et non Tremor) 01’28’’
(Timor Lorosae / Timor-Leste)

17. Mamayog akun 02’27’’
(Philippines / Filipinas)

total 51’35’’


O Coro de Câmara de Lisboa foi formado em 1978, pela Prof.ª Teresita Gutierrez Marques0, então como Coro de Câmara do Conservatório Nacional de Lisboa. Constituído por vinte e quatro músicos, interpreta – a cappella ou em colaboração com formações instrumentais – obras portuguesas e estrangeiras, do vasto período compreendido entre a Renascença e os nossos dias, sendo responsável por um número significativo de estreias mundiais.
Mantendo sempre intensa actividade – cujo nível qualitativo tem merecido o aplauso unânime do público e da crítica –, o Coro apresentou-se em inúmeras localidades do País, assim como nos mais importantes auditórios de Lisboa (Centro Cultural de Belém, Fundação Gulbenkian, Teatros de S. Luiz e da Trindade, etc.), tendo participado nas mais significativas manifestações culturais (Jornadas Gulbenkian de Música Antiga, Lisboa’94 - Capital Europeia da Cultura, Expo’98 - Exposição Mundial de Lisboa, Festival Internacional de Órgão de Lisboa, etc.)
Paralelamente, o Coro de Câmara de Lisboa tem desenvolvido uma alargada carreira internacional, a convite de instituições como a Federação Europeia de Coros, a Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Oriente ou os Ministérios da Cultura de Portugal, da Espanha e de Cabo Verde, para dar apenas alguns exemplos.
As três participações do Coro de Câmara de Lisboa no Concurso Internacional de Coros de Tolosa (Espanha) saldaram-se pela conquista de um 1.º e de um 3.º prémios na classe de Polifonia, bem como dois segundos prémios na categoria de Música Popular.
Para além das suas apresentações em concertos, o Coro efectuou, em Portugal e no estrangeiro, diversas gravações em disco e para a rádio, televisão e cinema.
Em Julho de 2009, o Coro de Câmara de Lisboa realizou concertos em Malaka, Kuala Lumpur e Cameron Highlands (Malásia), e em Singapura (Victoria Concert Hall) a convite das entidades locais.
Em Dezembro de 2009, o Coro de Câmara de Lisboa apresentou o seu CD mais recente, “Missa Grande” de Marcos Portugal, sendo a primeira gravação integral da referida obra em Portugal.
Em Julho de 2011, o Coro de Câmara de Lisboa vai apresentar ao público o seu CD mais recente, “Canções da Ásia”.


CORO DE CÂMARA DE LISBOA

SOPRANOS: Bárbara Faria, Helena Lima, Margarida Simões, Maria João Alves, Mariana Nina.
CONTRALTOS / ALTOS: Isabel Torres, Liliana Silva, Mariana Monteiro, Sílvia Fontão, Vanessa Gonçalves.
TENORES / TENORS: Carlos Reis, José Pereira, Nuno Fonseca, Pedro Sousa, Vítor Gonçalves.
BAIXOS / BASSES: António Marques, Filipe Barreiros, Luís Bourgard, Nuno Rodrigues, Pedro Ribeiro.

Ref.: NUM 1222


quinta-feira, 26 de maio de 2011

António Victorino D'Almeida - MÚSICA DE CÂMARA


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"Como objecto discográfico em si, este extenso trabalho não desilude as melhores expectativas. A óptima qualidade técnica de gravação e montagem e o alto nível artístico das interpretações instrumentais são factores que também contribuem para a credibilidade do produto final.

O corolário é simples: acaba de ver a luz uma das mais importantes realizações de sempre na discografia de matriz autoral portuguesa."

Alejandro Erlich-Oliva

Lisboa, 25 de Abril de 2003


Informação detalhada:


NOTAS DO AUTOR
Dedico estes três CD’s ao meu Pai, que poucas destas obras pôde ainda escutar em vida.
A ele eu devo tudo aquilo que terei de bom - e tudo aquilo que, de mau, me terei livrado.
Entretanto, há várias pessoas a cuja amizade e também a cujo trabalho esta amostra da minha música de câmara muito ficou a dever para que hoje seja uma realidade.
Refiro-me obviamente aos músicos que a executaram, aos copistas que a copiaram, aos técnicos que a gravaram e à editora que a editou, na pessoa do Fernando Augusto Rocha, meu amigo e dedicado colaborador.
Sem a sua ajuda e preciosa participação, tudo isto continuaria a só existir numa gaveta, ao lado do outro tanto - e muito mais - que lá se encontra.
Quero obviamente agradecer ao ex-Ministro da Cultura, Dr. Manuel Maria Carrilho, o despacho que permitiu a concessão da verba graças à qual todas estas obras puderam deixar de estar escritas à mão, foram copiadas em computador e, a partir daí - e só daí - puderam ser convenientemente lidas e executadas pelos intérpretes.
Também presto uma palavra de justo reconhecimento a uma personagem de ficção - de seu nome, Coronel Bombarda... - que ajudei estranhamente a criar num programa de televisão e que retribuiu com os meios pecuniários indispensáveis para subsidiar a maior parte do trabalho de gravação e montagem.
E mais não direi sobre essa figura, bastando que alguns entendam a mensagem que aqui envio...
Entretanto, tudo isto determina, uma outra dedicatória a quatro figuras - essas reais - que, cada uma à sua maneira, e sempre no momento oportuno, colaboraram de uma forma inestimável na concretização deste projecto:
À minha mulher, Sybil, à Bárbara Guimarães, à Maria o Céu Guerra e à Madalena Garcia Reis.
Quanto às peças escolhidas, a selecção nem sempre obedeceu a um critério de especial preferência - pois muitas outras obras há que desejaria arrancar à penumbra da gaveta -, mas sim a circunstâncias várias de momento, tendo especialmente em contas a disponibilidade ocasional dos músicos, dos estúdios e das cópias prontas.
Limito-me assim a fornecer algumas curtas referências acerca das razões que mais terão determinado cada uma destas composições.
CD I
1. Meditações irrequietas sobre um dia de Abril, op. 50
2. “Un rêve d’un rêve” op. 38
3. O gato Barnabé, op. 46
4/9. O cerejal, op.60
10. À memória do meu sotão, op.120
11. Inquietação na pandeireta, op.122



CD II

1. Dom João e a máscara, op.80

2. The woman in the moon, op.110

3. Fragmento II, op.71

4/10. Música antiga, op.37

11/13. Três Bagatelas, op.29, op.117, op.125

14. O número do trapézio, op.73




CD III

1. Piaf, op.69

2/4. Sonata para violeta e piano, op. 94

5/9. Sonata para trompa e piano (Wiener Sonate”), op.98


Ref.: NUM_1109 - CD TRIPLO


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segunda-feira, 16 de maio de 2011

RICHARD OKKERSE - QUARTET THAT OLD FEELING


I-Tunes:



Nascido em Middelburg (Holanda) em Outubro de 1980, Richard Okkerse começou a tocar guitarra com 10 anos sob a influência de Eric Clapton, Jimi Hendrix e Carlos Santana. Na altura em que completou 13 anos começou a interessar-se cada vez mais por jazz e fusão. Durante esse período fez parte de algumas formações de estilos diferentes: Confusion, Not James Dean, Misty Jazz Band, etc. Aos 17 anos entrou para a Universidade de Música de Amesterdão onde estudou com Jesse van Ruller, Maarten Van Der Grinten e Ed Verhoeff. Actualmente Richard Okkerse vive no Porto onde actua com frequência e ensina guitarra-jazz em várias escolas.

O Richard Okkerse Quartet é formado por Richard Okkerse na guitarra, Hugo Gama no saxofone, Pedro Silva no contra-baixo e Filipe Monteiro na bateria.


Informações detalhadas:


Richard Okkerse - guitar
Hugo Gama -sax
Pedro Silva -double-bass 
Filipe Monteiro - drums


Guests:

Ricardo Formoso - trumpet

Pedro Costa - piano


Recorded at Estúdio Garagem

28/12/2010 and 28/01/2011 by:

João Azevedo


Mastered at Estúdios Numérica by:

Fernando Rocha


www.richardokkersequartet.com


1. Body and soul 08’21’’

[Edward Heyman, Robert Sour, Frank Eyton & Johnny Green]


2. All things familiar 06’27’’
[Dan Adler]

3. Blame it on my youth 08’28’’
[Oscar Levant & Edward Heyman]

4. Horace-scope 06’51’’
[Horace Silver]



5. That old feeling 07’08’’

[Sammy Fain]



Total: 37’10’’


Ref.: NUM 1217



quarta-feira, 4 de maio de 2011

QUARTETO LOPES-GRAÇA - FESTIVAL CRIASONS

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O projecto


A divulgação permanente da criação musical portuguesa é objectivo cultural comum à genética dos três agrupamentos fundadores de Musicamera - Opus Ensemble, Duo Contracello e Quarteto Lopes-Graça. 

Torna-se cada vez mais importante a continuação desse esforço, que, nomeadamente através do Opus Ensemble, tem levado a música de câmara portuguesa aos quatro cantos do mundo.

Privilegiar a matriz autoral portuguesa é a tomada de consciência de que, no mundo contemporâneo, a marca identitária de um povo, mormente na Europa / Nação, se define, antes de mais, pelas suas valências culturais, que prevalecem sobre as geográficas e económicas, abrindo caminho ao seu pleno desenvolvimento e diferenciação. Não é por acaso que encontramos as indústrias da cultura entre as cinco mais produtivas dos países desenvolvidos.
Consideramos ainda não haver nenhum motivo endógeno para o pouco interesse que a opinião pública do país manifesta pela sua criação musical “erudita”.
Essa tendência não é verificável em outras áreas afins, como o Teatro e a Dança, actividades que conseguiram encontrar o seu lugar regular na programação e na preferência do público. 
É nosso entender que a razão profunda deste distanciamento se deve procurar na incapacidade que a música tem manifestado em se promover e adquirir “fluência discursiva” e visibilidade mediática, visando aproximar-se do grande público para, desse modo, atingir níveis de consumo equivalentes aos que gozam actualmente outros géneros musicais nacionais (o fado, algum jazz, o rock português e outras expressões urbanas).
Para isso há duas condições essenciais: um investimento sério dos artistas - tanto criadores como performativos - e uma alavanca do Estado, que permita contrariar a timidez de muitos programadores e agentes culturais. Foi essa a atitude do Ministério da Cultura (Direcção Geral das Artes), que nos permitiu chegar onde agora estamos.
Acreditamos serem os agrupamentos de câmara veículos fundamentais na realização deste trabalho, em permanente diálogo com outras expressões artísticas e com a versatilidade e a economia de recursos que lhe são apanágio.


Informação detalhada:


FESTIVAL CRIASONS - Tendências da Música de Câmara Portuguesa Contemporânea

OPUS ENSEMBLE
DUO CONTRACELLO
QUARTETO LOPES-GRAÇA


Sérgio AZEVEDO [Coimbra,1968]

Concertino de Câmara (2010) 

Obra dedicada ao Opus Ensemble
Estreia Mundial no Festival CRIASONS
1. Deciso (Ana Bela)
2. Mesto (Bruno)
3. Intermezzo gravíssimo (Alex)
4. Valsa (Olga) 
5. Finale (Pedro) 



Jorge COSTA PINTO [Lisboa, 1932]

6. Bi-tone Scherzo, op. 106 (2010) 

Obra dedicada ao Opus Ensemble
Estreia Mundial no Festival CRIASONS



Anne VICTORINO D’ALMEIDA [Poissy, França, 1978]

Quarteto da Serra D’Arga (2010) 

Obra dedicada ao Quarteto Lopes-Graça
Estreia Mundial no Festival CRIASONS
7. Andante
8. Scherzo – Tarantella
9. Moderato tranquillo
10. Vivace e Fuga



Jorge COSTA PINTO [Lisboa, 1932]

Quarteto de Cordas op. 104, nº 1, Fado Luso (2009) 

Obra dedicada ao Quarteto Lopes-Graça
Estreia Mundial no Festival CRIASONS
11. Andante
12. Allegro



Amílcar VASQUES-DIAS [Badim, 1945]

13. Prelúdio à Sesta das Cigarras (2010) 

Obra dedicada ao Quarteto Lopes-Graça
Estreia Mundial no Festival CRIASONS



Alexandre DELGADO [Lisboa, 1965]

Burlesca (1991/2)

Obra gravada pelo Duo Contracello em 1996, integrada no cd Num 1055
14. Animato
15. Presto
16. Poco meno presto


Ref.: NUM 1218



CORAL DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO - UMA ANTOLOGIA [IM]POSSÍVEL

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CORAL DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO


Fernando Lopes-Graça

Canções Regionais Portuguesas 


Uma Antologia (Im)possível


Coral de Letras da Universidade do Porto
José Luis Borges Coelho, direcção

"A relação do Coral de Letras da Universidade do Porto (CLUP) com a música de Fernando Lopes-Graça (FLG) é tão antiga e constante quanto a existência do próprio Grupo.
Entendeu-se, desde o princípio (1966), que a um grupo coral amador português competia cultivar, em primeiro lugar, a música do seu próprio País. Esse imperativo fundador, de pendor identitário, que assumíamos com tão meridiana clareza, implicava que reservássemos um lugar privilegiado, na programação corrente, à música que carrega, indeléveis, as marcas que nos distinguem e nos afirmam como povo – e essa é, sem dúvida, a música de raiz popular."




José Luís Borges Coelho


Informação detalhada:


Fernando Lopes-Graça
Canções Regionais Portuguesas 
Uma Antologia (Im)possível


Coral de Letras da Universidade do Porto
José Luis Borges Coelho, direcção


\"A relação do Coral de Letras da Universidade do Porto (CLUP) com a música de Fernando Lopes-Graça (FLG) é tão antiga e constante quanto a existência do próprio Grupo. 
Entendeu-se, desde o princípio (1966), que a um grupo coral amador português competia cultivar, em primeiro lugar, a música do seu próprio País. Esse imperativo fundador, de pendor identitário, que assumíamos com tão meridiana clareza, implicava que reservássemos um lugar privilegiado, na programação corrente, à música que carrega, indeléveis, as marcas que nos distinguem e nos afirmam como povo – e essa é, sem dúvida, a música de raiz popular. De modo que a sua presença se fez constante na nossa actividade. Desde o concerto de estreia. Não precisámos de esperar pelos efeitos devastadores desencadeados pelo fenómeno da globalização sobre a diversidade cultural do Planeta - hoje tão agudamente percepcionados - para definirmos o nosso caminho. Não víamos que competisse a outros - espanhóis, franceses, ingleses... japoneses, polinésios - a assunção dos nossos valores. Simplesmente isso.
Ora, se o panorama, no que à música de raiz popular respeita - pelo influxo, directo ou indirecto do compositor a quem se dedica este registo monográfico - se encontra hoje, em Portugal, incomparavelmente mais rico, a verdade é que, durante as primeiras décadas da vida do CLUP, Fernando Lopes-Graça era, nesse concreto domínio, a grande, praticamente única, referência . Donde resultou aquela espécie de fixação que ciclicamente nos trouxe alimentados, em exclusivo, com a obra do Compositor. Um ano e outro ano. Concerto atrás de concerto. Dentro e fora do País. A tal ponto que não faltava quem suspeitasse que não fazíamos - nem saberíamos fazer - outra coisa...
Mas, por esse Portugal abaixo, outros como nós iam afinando, mais coisa menos coisa, pelo mesmo diapasão. 
A explicação para um crédito que se alargava - e é hoje tão unânime - há-de residir no êxito com que o Compositor aplicou a esta parte da sua obra aqueles dois ou três princípios programáticos que um dia enunciou a Francine Benoit, em entrevista que, depois de transformada e desenvolvida, veio a constituir o capítulo Sobre a Canção Popular Portuguesa e o seu Tratamento Erudito, inserto em A Música Portuguesa e os seus Problemas I - um dos volumes das suas Obras Literárias. A descoberta de insuspeitadas virtualidades na nossa canção rústica, determinara-o a olhar por ela e, posto que as ferramentas de que já dispunha se lhe apresentavam perfeitamente adequadas a tal escopo, nem precisaria de se desviar do seu rumo para o levar por diante:
“... Como compositor, vim a concluir que o tratamento artístico da canção popular portuguesa é perfeitamente compatível com todos os recursos e conquistas da moderna técnica e gramática musicais; e direi mesmo que só aplicando-lhe, com o devido discernimento, está bem de ver, esses recursos e conquistas, é que ela se poderá valorizar completamente.”
Esclarecedor, quanto baste. 
Recolhe-se aqui um punhado dessas canções, jóias dum tesouro que, guloso, o Compositor abundantemente surripiou, no intuito confesso de colher do seu acto, premeditado e anos a fio repetido, um melhor conhecimento das gentes que o amealharam - como um dia, de viva voz, anunciou, na apresentação dum concerto do seu Coro da Academia de Amadores de Música . Daí haveria de colher também – diremos nós – uma disposição da sua própria linguagem a repercutir, a seu modo, depois de aturada decantação, a das suas raízes. Eis por que, ao devolver ao povo cada uma das canções “roubadas” – ele o disse e o escreveu –, o faz acrescentando-lhe o “juro” da dívida que se lhe representa mais ajustado e que outro não é senão o tal ‘tratamento erudito”, ou “artístico”, aquela espécie de “moldura” – como também lhe chamava agora –, caso a caso desenhada, no fito de melhor realçar os contornos físicos – e mesmo psíquicos – do modelo. 
Ora, é justamente esse juro, essa moldura, o que nos faz correr, o que, tão longamente, nos traz na sua órbita. É que a nossa canção rústica, depois que passou pelo crivo do Mestre, por um crivo em cuja urdidura entram, em partes iguais, sensibilidade e domínio técnico e, no miolo, uma assimilação (até aos cromossomas - não resistimos a considerar) da matéria ‘tratada’ (também aquela sabedoria que, para bem de todos nós, o não fez correr a foguetes...), a nossa canção rústica - ia-se escrevendo - depois que o Mestre assim lhe pôs a mão, apanhou-se a trocar o ar livre dos campos de Portugal - aonde agonizava, a golpes do progresso - pelo recolhimento das salas de concerto, com o que cobrava vida nova, feita obra de arte: essa que aí, nesse registo, se deixa, modestamente, entremostrada. 
A modéstia, evidentemente, é a da nossa contribuição para o produto final. E o que aqui se traz - ou se ‘entremostra’ - não passa duma parcela ínfima duma safra muito generosa: 26 exemplares tão-só, de um universo de 267, quantos os que acabaram reunidos nas 24 séries de Canções Regionais Portuguesas, e ainda nas 2 Cantata(s) do Natal. (Disperso e em ‘tratamento’ não coincidente, andarão muitos espécimes, consoante pôde concluir o autor destas linhas, numa tarde em que compulsou, um tanto à vol d’oiseau, o espólio de Virgílio Pereira, na bela casa que o ilustre etnólogo e maestro teve em Mancelos e que continua na posse da família. Facto é que, devidamente chanceladas, ficaram vinte e seis colectâneas). E aí está como chegámos ao número de faixas deste registo: tomámos de cada série uma canção, acrescentando ao número assim achado mais uma de cada cantata. 
Foi pelo critério utilizado, mas não exclusivamente por ele, que se nos representou (Im)possível a Antologia. A escolha - dificílima, ainda quando limitada ao conjunto restrito duma série - acabou sendo a resultante duma complexa equação em que as nossas predilecções nem sempre foram o factor preponderante. Dito de outro modo: tão rico é esse verdadeiro florilégio legado pelo Compositor para nosso deslumbre, que não se pode afirmar que a nossa Antologia reflicta em absoluto as nossas preferências. Na hora de decidir, impôs-se-nos também, como critério da maior importância, a necessidade de se dar satisfação bastante àquele clássico - e sábio - princípio segundo o qual ao belo convém sobremaneira a variedade.
De modo que, mesmo com o cutelo do tempo a ameaçar abater-se sobre a nossa empresa em plena demanda da impossível perfeição, acabámos por trazer aqui um bom ramalhete daqueles espécimes que se não entregam ‘às boas’, autênticos bojadores que ninguém dobra sem que se disponha denodadamente a arrostar com inopinadas dores. 
A primeira canção - Canção da vindima - é também a 1ª da Série I. Por isso a escolhemos: abríamos com a abertura. Quantas preciosidades deixadas para trás, logo aí! Mas a razão, boa ou má, em nada desdiz do interesse evidente da cantiguinha, da vivacidade contagiante duma linha melódica a que nem falta, brevíssimo, um toque de exotismo; como não desdiz da aptidão que mostra para servir com igual eficácia - ou igual distanciamento? - o despeito mordaz, se os amores se desavêm, a exultação do encontro, se se avêm. E que dizer, depois, da mão do Compositor nesta sua nova especialidade, neste arranque para uma demanda que haveria de o perseguir praticamente até ao resto dos seus dias?
Mas não seguimos o mesmo critério quando compulsámos a série XXIVª : não escolhemos a última. Simplesmente porque - admitimos - nunca o quis ser. Como quer que seja, aí, seduziu-nos, irremediavelmente, a canção açoriana - da louçania duma redondilha que uns apartes entre o amoroso e o pícaro interpolam, 

O meu amor quer que eu tenha 
Ó meu bem
Juízo e capacidade
Olé meu bem... Olé meu bem...
Tenha ele que é mais velho 
Ó meu bem 
Que eu sou de menor idade 
Olé meu bem... Olé meu bem...;

à linha de canto, primeva, à cassa - finíssima! - de que o Compositor a envolveu. Um apuro! De render o mais distraído. 
A ordem por que apresentamos as canções não procurou nexos. Não nos consumimos a agregar por blocos temáticos os conteúdos poéticos sobre que se moldam as cantigas. Aliás, alguns revelar-se-iam razoavelmente avessos a arrumações, sempre estanques, como é da sua natureza: sempre alguma coisa sobra sem destino que se lhe dê. E Outros ou Outras é albergue que não calharia escorreitamente neste lugar. Salvou-nos desse desatino a pura obediência ao critério que serviu de base à organização da Antologia: à 12ª faixa corresponde, simplesmente, a canção retirada da XII Série.
Uma referência, por reduzida que fosse, a cada uma das canções, não iria caber nestas notas. Diremos tão-só que, entre aquela primeira e aquela última, mormente a partir de meio da jornada, os temperos se foram fazendo progressivamente mais fortes, bastante mais fortes. Eis por que, depois de fartamente vos (nos) termos servido de sal, de pimenta, de malagueta, optámos por açúcar, para sobremesa: as duas canções de Natal são do mais doce que a cozinha do Mestre alguma vez serviu. 
Os textos de certas canções desafiam todas as convenções. Situam-se algures entre as rugosidades graníticas do românico português (do nortenho, sobretudo), os barros populares duma Rosa Ramalho, ou de sua neta Júlia (ou os dum Mistério), e as ousadias modernistas que, em seu tempo, fizeram de Picasso a pedra de escândalo que se sabe, e lhe não hão-de ter vindo, propriamente, do nada. A elipse, o desalinho do tempo verbal, a imprevisível adjectivação, a imagem que desconcerta, a desconcertada concatenação dos passos em trovas que são romanescas (Andorinha gloriosa / tão perfeita como a rosa / Quando Deus aqui nasceu / Toda a terra estremeceu. / Veio o Anjo Gabriel / perguntar pelos pastores: Pastorinhos de bom dia, / aqui está Santa Maria, C’o seu livrinho na mão, / rezando a oração.) tudo isso anda por ali à rédea solta. Não raro a orelha parece estar na testa, ou no queixo; ou nos olham de frente os dois olhos dum rosto que está de lado. Mas tudo bate certo, ao fim. O gosto estético sobrepuja, intocado, os aparentes desmandos da gramática. 
Todos esses textos são rigorosamente populares, ainda quando não sejam os originais. Para certos espécimes, FLG colheu no cancioneiro poético popular, ‘letra’ que em seu entender melhor quadraria às qualidades intrínsecas da melodia sub judice. Com toda a probabilidade, valeu à sua intuição um precioso livrinho de Jaime Cortesão - O que o Povo Canta em Portugal, Trovas, Romances, Orações e Selecção Musical, Rio de Janeiro, 1942. Aí se podem encontrar, por exemplo, as desafrontadas trovas deste Canta, camarada, canta , que muitos de nós conheceram acrescentadas de outras, fabulosas, do poeta Aleixo. Como aquela
Vós que lá do vosso império
Prometeis um mundo novo,
Calai-vos, que pode o Povo
Qu’rer um mundo novo a sério!

As melodias são - todas, sem excepção - magníficas. 
- “Ó mãe, por que é que ‘o Graça’ estraga as músicas todas?...” - futurava o Compositor que desatassem a perguntar todos os meninos pedrinhos deste País , à semelhança daquele Pedrinho a quem ele ouviu, um dia, disparar a inquietante pergunta. Os ‘estragos’ (por momentos deixamos cair as ‘molduras’...) a que o fino gosto do Mestre sujeitou essas melodias, primeiro, estranham-se; não se lhes percebe, um tempo, o alcance; mas depois entranham-se (que se me releve o lugar comum, irrecusável aqui - haverão de conceder-mo). É como aqueles néctares que, à primeira, nos desmoralizam, mas que, se insistimos e não nos precatamos, podem fazer-se vício. Há, só, que saborear... Sem pressa. Uma e outra vez. 
Assim a nossa prestação vo-los traga servidos à temperatura que mais convém. 
Fernando Lopes-Graça (1906-1994) é autor duma vastíssima obra musical que abarca praticamente todos os géneros: da música de câmara, nas mais variadas combinações, ao concerto e à sinfonia; da música vocal a-cappella ou com acompanhamento instrumental, solista ou coral, às grandes formações corais sinfónicas (Requiem pelas vítimas do fascismo em Portugal). Na última publicação onde se faz o inventário dessa obra, chega ela ao op. 250. Contudo, basta considerar - para nos socorrermos de exemplo que o leitor já conhece - que todas as 24 séries de Canções Regionais Portuguesas - vêm ali incluídas no op. 39 (embora as séries I e II tenham o seu próprio nº de opus), para se perceber que esse número não é nada revelador da sua verdadeira dimensão. 
Da sua música vocal – a que vem aqui chamada - diremos que a molda, magnificamente, a língua que vise servir (ou será o contrário?), merecendo-lhe a portuguesa, que cultivou ao mais alto nível, especialíssimos cuidados: seja, como aqui, no domínio da poética popular (que não se reduz - longe disso - à redondilha maior ou ao verso de pé-quebrado), seja no da melhor poesia, que o estro do Artista se meteu a servir - sobretudo na obra que destinou ao canto e piano - em toda a extensão de um percurso histórico que vai quase em nove séculos.
É também autor duma volumosa obra literária, através da qual o ‘artista intervém’, valendo-se de um domínio da língua que em nada desmerece dos melhores cultores dela. 
Grande figura da cultura portuguesa ao longo de quase setenta anos (atravessou o século XX da primeira à última década), foi um activo militante das grandes causas da emancipação da humanidade, o que, por mais de quatro décadas - tantas as que durou o regime derrubado em 25 de Abril de 1974 -, lhe acarretou não poucos nem pequenos dissabores – prisão, desterro, perda dos mais elementares direitos cívicos. A própria actividade docente, de que basicamente vivia, acabou por lhe ser vedada.
Intenta este registo celebrar o Compositor a quem a música e a cultura pátrias tanto devem e surge por ocasião do Centenário da Universidade do Porto, a 22 de Março de 2011.
Patrocina-o a Reitoria da Universidade.\"
José Luís Borges Coelho


1. Canção da vindima
(Beira Baixa)

2. A Senhora d’Aires
(Baixo Alentejo)

3. Já os passarinhos cantam
(Beira Baixa)

4. Romance de Mirandum
(Trás-os-Montes)

5. Canta, camarada, canta
(música da Beira Alta. 
Letra do Cancioneiro Popular adaptada)

6. Romance da andorinha gloriosa – Fragmento (Beira Litoral)

7. Quatro laços da dança dos paulitos
(Trás-os-Montes)

8. Não quero que vás à monda
(Alentejo)

9. Romance da menina cativa
(Trás-os-Montes)

10. Senhora do Livramento
(Beira Alta)

11. Menina, se bem me queres
(Douro Litoral)

12. Oh que novas tão alegres
(Beira Baixa)

13. Vai colher a rosa
(Alentejo)

14. Ó meu divino Senhor
(Beira Alta)

15. As sécias
(Beira Baixa)

16. Dormi, menino, dormi
(Ilha de S. Jorge - Açores)

17. A Senhora do Desterro
(Beira Alta)

18. Segadinhas, segadinhas
(Minho)

23. Nossa Senhora da Guia
(Beira Alta)

24. Ó meu bem...
(Ilha dp Faial, Açores)

25. Confusa, perdida
(Natal)

26. O Menino nas palhas
(Natal)


Ref.: NUM 1213




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