quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

DIAGNOSIS - Quatro reflexões musicais sobre a profissão médica e o processo de diagnóstico clínico / Four thoughts around the medical profession and the process of clinical diagnosis

Liliana Leal | Lurdes Carneiro | David Silva | Teresa Correia | Luísa Marques | Eliseu Correia | Raquel Costa | Katerina Mikusova | Nuno Arrais | Dr. Freire Soares
DIAGNOSIS - Quatro reflexões musicais sobre a profissão médica e o processo de diagnóstico clínico


Diagnosis é um projecto artístico único e inovador no panorama musical em Portugal, que tem como fonte de inspiração a metodologia da investigação clínica do trabalho desenvolvido pela Medicina em geral, mas mais especificamente pela especialidade de Medicina Interna.
Acima de tudo, a singularidade deste projecto reside no facto, de não ser a Música que se encontra ao serviço da clínica médica, mas pelo contrário, foi a Medicina que deu o mote para a realização de uma reflexão artística, recorrendo à utilização de sons, imagens e conceitos normalmente associadas ao exercício da ciência médica. Neste caso, é a praxis da Medicina Interna que serviu de inspiração para um projecto artístico, dando origem a uma obra que junta duas realidades distintas e essenciais da actividade do Homem, reunidas no único e singular universo da música.
Desde os gregos e recuperado durante o Renascimento, os grandes pensadores, como Marsílio Ficino, acreditavam na ligação estreita e imprescindível entre a Música e a Medicina, como meio entre a alma e o corpo. Supunha-se que a Música possuía poderes curativos para diversas moléstias prevalecentes naquela época, como por exemplo a peste. No séc. XVII, em plena época do racionalismo cartesiano de Descartes, desenvolveram-se algumas correntes de pensamento que reforçaram a crença da eficácia do poder curativo da música nas chamadas “doenças das mulheres” ou na melancolia (a bílis negra). 
Acreditava-se que a música afectaria artérias e órgãos vitais de uma forma muito directa. A percussão, por exemplo, pelo seu poder mecânico de movimentar a elasticidade do ar, teria a capacidade de ultrapassar a resistência dos nervos, o que seria útil para pacientes inconscientes ou impossibilitados de ouvir. Os médicos acreditavam na correlação directa entre o ritmo e o tempo na música e a força e o batimento da pulsação cardíaca.
Por outro lado, a influência da Música nos humores e na pulsação era também manipulada por compositores como Monteverdi e Vivaldi, entre outros, para benefício das suas audiências.
Apesar dos enormes avanços da Ciência e da Tecnologia, à profissão médica continua a estar inerente, uma das relações mais exclusivas e intimistas do ser humano - a dedicação e o cuidado ao outro, tornando o processo de diagnóstico, um dos testemunhos mais fortes, importantes e reveladores dessa ligação. Em todos as etapas, que compõem a História Clínica, da anamnese ao exame físico, passando pelos diagnósticos diferenciais, todas elas são dimensões específicas de um processo, que revelam em si, a importância da sensibilidade do Médico no uso sábio e atento de todos os sentidos, aos quais este deve recorrer para observar, reconhecer sintomas e identificar sinais, interligando-os analiticamente em diferentes diagnósticos diferenciais, para uma síntese final de afirmação de um diagnóstico.
Como o Internista, o Músico recorre ao mundo sensorial no seu processo criativo. Esta peça procura precisamente explorar e recriar a relação do Clínico Médico com o doente, através do ver (mais do que o olhar) para o observar, tal como o músico observa um instrumento, antecipando a visão e a sonoridade dos sons e harmonias que dele quer extrair. O médico palpa e toca no doente para perscrutar o seu interior, assim, como o músico sente e reconhece o instrumento enquanto o toca.
A aptidão de desenvolver capacidades clínicas, através da percepção de pequenas nuances de sons produzidos no interior do doente, as suas características sonoras, sequências e ritmos, encontra o seu paralelo na sensibilidade do músico – compositor ou executante – para pequenas diferenças de tom, timbre ou melodia nas quais pode ser possível reconhecer a individualidade única e irrepetível do autor / executante.
Estas reflexões motivaram e inspiraram a criação de uma peça musical, Diagnosis, para dez instrumentos – violino, viola-d’arco, violoncelo, contrabaixo, flauta, clarinete, fagote, trompete, trombone e percussão - tendo como elemento comum e basilar, a sensibilidade e a necessidade do constante desenvolvimento e aperfeiçoamento destas duas expressões de arte: a Medicina e a Música.
Daniela Rodrigues


Ref.: NUM 1223

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

As vozes de "Jogo de Damas"

Os estúdios Numérica iniciaram 2012 com uma nova gravação, desta vez com as vozes de "Jogo de Damas", que poderá conhecer melhor, aqui.


Com Bárbara Franck, Fátima Serro, Rita Marques, Sameiro Sequeira.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

AXAYARA - Fernando Girão



AXAYARA


"A HIPERMODERNIDADE EM
FERNANDO GIRÃO
Se o hiperconsumo caracteriza o homem hipermoderno e global, a subjectividade da arte musical, hiperconsumida na sua linguagem mundializada desde sempre, testemunha, aqui, neste trabalho de Fernando Girão, a assumpção do artista como voz dos tempos que correm, que recebe em si manifestações culturais múltiplas e as dissemina como produto multicultural, numa língua e linguagem únicas, que reproduz em si a hipermodernidade da sua criação ecrânica, da sua existência como resultado de um total de muitas parcelas.
A fonética de Fernando Girão, a new model, encerra o mundo em todas as suas manifestações e ritos, em todas as suas crenças e revelações divinas, num todo glorificado onde se reconhece tanto as expressões da latinidade como do espaço anglo-saxónico, viajando do oriente para ocidente num percurso solar e profético.
Fernando Girão é um criador hipermoderno porque reúne e funde em si as representações do mundo como se ele próprio viajasse do futuro ao presente, reportando a excelência de um admirável mundo novo, não de um ponto de vista huxeliano, mas onde o mito babélico atingiria o seu termo e a humanidade comunicasse através dos mesmos signos. Linguagem dos afectos, das cumplicidades, dos ritos tribais enquanto expressão globalizante, a voz de Fernando Girão resplandece num novo sacerdócio de um humanismo planetário. Inscreve, assim, o seu nome nas páginas de uma História do Futuro."


Luís Filipe Sarmento (Escritor)


Nota: Já há mais de 25 anos que não ficava tão emocionado com uma obra como esta de Fernando Girão. Senti esta mesma experiência emocional ao ouvir dois discos completamente diferentes entre si: «Doors» dos "The Doors" e «Operário em Construção» de Chico Buarque. É por isso que a Arte é uma devastação.
Luís


Ref.: NUM 1184

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Pzzim, é um raio de energia - Coro dos Pequenos Cantores da Maia

Convite para amanhã, na Maia, ao lançamento da fantasia musical em 2 actos, "Pzzim é um raio de energia", pelo Coral Infantil Municipal dos Pequenos Cantores da Maia.

A cerimónia acontecerá às 16 horas, no salão D. Manuel I, conforme convite anexo.
Ao longo da manhã, os Pequenos Cantores da Maia estarão em directo na Praça da Alegria, no canal 1 da RTP.


Textos de Mizé Rouxinol e música de Victor Dias.

Esta produção teve a participação de amigos convidados: Rui Veloso, Luís Represas, Fernando Tordo, Manuela Azevedo, Nuno Guerreiro, Vozes da Rádio, Luís Portugal, Sérgio Castro, Ricardo Azevedo, Mesa do Canto, Márcia Barros, Diana Basto, Nana Sousa Dias, Cládio Ribeiro, Dixie Boys, André Nascimento.

Produção: Academia das Artes da Maia - Produções Culturais, EMM
Apoio: Rádio Renascença


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Parabéns ao Coliseu do Porto, pelo seu 70º aniversário!

‎"No seu 70º Aniversário, o Coliseu do Porto presta a sua homenagem à grande pianista portuense D. Helena Sá e Costa, num concerto onde serão apresentadas as obras que fizeram o concerto inaugural de 19 de Dezembro de 1941: “A Consagração da Casa” de Beethoven e o Concerto nº 1 para piano de Mendelssohn. A interpretação será da Orquestra ARTAVE e do pianista Constantin Sandu, dirigidos pelo maestro Luís Machado."
http://www.coliseudoporto.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=633%3A70o-aniversario-do-c
www.coliseudoporto.pt